em Reserva Ideológica o universal joga em casa – por Cassia Perez

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Preservar o conhecimento em lugares seguros e de livre acesso é um desejo que persegue a humanidade desde o século 7 a.C, momento do surgimento da primeira biblioteca do mundo localizada no Iraque. Eram gravados em tábuas documentos, arquivos e histórias de guerra, permitindo transmitir esses fatos de geração em geração. No futuro, as tábuas seriam substituídas por diversos suportes até chegar aos arquivos impressos e digitais.

Com as bibliotecas, a difusão de conhecimento para a população não se limita mais a histórias orais. O acesso a bibliotecas físicas e digitais cresce a cada dia no mundo, surgindo acervos com temas gerais e específicos para atender a demanda de diferentes públicos, tornando a possível o arquivamento de informações.

Levando em consideração a necessidade de armazenar o conhecimento, o projeto da Reserva Ideológica surge para proteger a diversidade do pensamento em arte contemporânea nas suas maneiras mais variadas, abrangendo temas que vão desde a ficção a teoria da arte, criando uma ampla visão do que é o conhecimento de arte contemporânea.

Inaugurando as postagens sobre o acervo da Reserva Ideológica, o primeiro livro a ser citado é a série de enciclopédia Barsa. Enquanto o espaço Überbau_House estava sendo preparado para abrigar projetos de residência e também a Reserva Ideológica, foram encontrados elementos deixados para o esquecimento pelos antigos donos, dentre eles a coleção completa da Barsa. A princípio, os antigos donos não queriam mais se responsabilizar pela coleção e recomendaram jogá-la no lixo ou reciclar.

A enciclopédia, no entanto, trouxe inquietações a toda a equipe, seja em buscar informações sobre seu país de origem ou até mesmo procurar informações inusitadas. Sim, hoje em dia ferramentas de busca como o Google podem revelar uma abrangência muito maior de informação que um simples livro impresso, já fora da data; mas tendo em consideração o propósito de preservar a diversidade de conhecimento, a Barsa torna-se um elemento chave para o acervo, fazendo com que o descarte fique fora de questão.

Foi a Barsa a primeira enciclopédia brasileira, editada para dar ao leitor uma abertura de pensamento crítico ao expandir seu repertório com informação. A primeira edição sai no Brasil em plena ditadura militar, em 1964, momento em que ser crítico estava fora de questão. Diferente de outros países, a enciclopédia visava possuir conteúdo próprio, voltado para o público nacional, algo até então inédito no Brasil. As primeiras versões não escaparam à censura que pairava no país, contudo encontrava maneiras sutis de passar conhecimentos proibidos na época.

Tal como a Reserva Ideológica, um dos objetivos da Barsa sempre foi tornar o conhecimento acessível para o público, nunca escondê-lo. As formas de difundir esse conhecimento mudam mas a necessidade de preservação resiste ao ser indispensável para o pensamento crítico. A Reserva Ideológica, então, não podia dispensar uma fonte histórica de conhecimento como a enciclopédia Barsa, permitindo aos frequentadores que usufruam de uma fonte rica de conhecimento complementar para o estudo de arte contemporânea.

Cassia Perez

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